Porque hoje é Sábado – John Masefield e meu avô.

John_Edward_Masefield_in_1916No meio de tanta turbulência (e depois de receber um puxão de orelhas de um grande amigo), percebi que não postei nenhum Porque hoje é Sábado desde o post inaugural há mais de quatro meses. Para quem pretendia ter um poema por semana, esse blog ficou devendo muito… São esses tempos bicudos na política e na economia que acabam nos afastando de coisas que importam.

Corrijo isso hoje, mesmo que no finzinho do dia.

Há muito tempo venho pensando em postar John Masefield. Tenho lido o seuSalt-Water Poems and Ballads com alguma frequência. Sua poesia não é das mais brilhantes (o Reino Unido tevePoet Laureates bem melhores), mas há algo nas suas imagens sobre o mar e navios que me diz muito. Tenho, desde pequeno, uma paixão por navios, especialmente os velhos navios a vela com cascos de madeira, herança do meu avô materno, um oficial da Marinha Mercante, veterano da Segunda Guerra. Lembro com enorme carinho de como brilhavam os olhos dele quando falava de navios, da familiaridade com que tratava da Invencível Armada, das frotas mercantes inglesas e, claro, de sua grande paixão, o HMS Victory.

Lendo alguns de seus poemas, sinto como se Masefield conhecesse meu avô. Como se os dois pudessem passar horas discutindo cordames, velas, cartas náuticas, manobras navais e todas aquelas tradições centenárias de homens do mar… Também sei muito bem que meu avô adoraria ter “a tal ship and a star to steer her by”, mesmo que fosse apenas para velejar na Baía da Guanabara.

Então, Porque hoje é Sábado e porque meu avô faz uma falta danada, John Masefield

 

Sea-Fever

John Masefield

 

I must go down to the seas again, to the lonely sea and the sky,

And all I ask is a tall ship and a star to steer her by;

And the wheel’s kick and the wind’s song and the white sail’s shaking,

And a grey mist on the sea’s face, and a grey dawn breaking.

 

I must go down to the seas again, for the call of the running tide

Is a wild call and a clear call that may not be denied;

And all I ask is a windy day with the white clouds flying,

And the flung spray and the blown spume, and the sea-gulls crying.

 

I must go down to the seas again, to the vagrant gypsy life,

To the gull’s way and the whale’s way where the wind’s like a whetted knife;

And all I ask is a merry yarn from a laughing fellow-rover,

And quiet sleep and a sweet dream when the long trick’s over.


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